14.2.12

Took the red pill

Resolvi desativar uma conta que tinha no facebook. Me cansei da mesmice dos posts e da viciante frequência com que vinha acessando essa rede social a qualquer hora do dia ou da noite.
No início tive uma certa expectativa em relação à onda de pós-modernidade ali representada afinal houve uma debandada geral do orkut... Então assisti ao filme homônimo e me dei conta de que a american college adventure tinha outro viés. A brincadeira então virou negócio e este prosperou e muito.
Nada contra uma ideia gerar frutos, mas pergunto-me: E eu com isso? O que realmente estou fazendo ali? O fato de 'encontrar' pessoas conhecidas, amigos distantes, gentes do passado, etc me pareceu uma resposta satisfatória, mas mesmo assim questiono-me sobre o por que de as pessoas ficarem se expondo, exibindo fotos e outras informações privadas para um sem número de expectadores conhecidos e desconhecidos, algo que já se podia fazer no próprio orkut!
Parece que todos ali no facebook detém alguma espécie de poder capaz de torná-los especiais e cheios de significado, afinal compõem uma rede na qual os nós são igualmente relevantes para a manutenção da trama em evidência.
Assim, pus de lado meu narcisismo e 'tomei a pílula vermelha'. Resolvi desconectar-me e deixar as coisas ficarem mais claras. Pode ser que reative a conta, pode ser que não. Por hora minha energia vai alimentar outras baterias...



5.2.12

Você acredita em destino?

Quantas vezes em nossas vidas já escutamos esta indagação: Você acredita em destino? Basicamente responde-se sim ou não.
Para ambas as respostas caberia uma justificativa, principalmente para a negativa, pois quando alguém responde sim, entende-se que a pessoa identifica-se com uma crença qualquer que naturalmente deve ser respeitada. Quando porém responde-se não, surge a dúvida: Não por quê? Aí, geralmente, a explicação é: porque crê-se em livre-arbítrio. Tudo bem...
A ideia de livre-arbítrio dá a entender uma espécie de liberdade, a qual confere ao ser a faculdade de escolher entre opções mutuamente excludentes ou não. Assim, quando alguém diz crer no livre-arbítrio, pode-se entender que ela nega o determinismo.
Já o destino remete ao limite final de alguma coisa, p.ex., quando alguém se prepara para uma viagem e estabelece o ponto de chegada, fixa-lhe o destino, em oposição ao ponto de partida, o lugar onde inicia a viagem. Neste caso, pode-se compreender o destino como uma espécie de escolha, de livre-arbítrio. De outra forma, pode-se pensar no destino como consequência de algo fora do controle do ser, p.ex., uma fatalidade - situação para a qual costuma-se dizer tratar-se de 'obra do destino'.
Retomando a indagação, parece mais razoável pensar que o 'destino' considerado é o que representa o imponderável, pois se assim não fosse, seria o mesmo que perguntar se alguém crê naquilo que determinou para si; seria como perguntar ao viajante se ele acredita que vai chegar ao ponto de chegada. Não haveria aí distinção entre destino e livre-arbítrio.
Então, o 'destino' o qual pode-se crer ou não, em elíptica oposição ao livre-arbítrio, vinculado a um propósito transcendente, poderia ser melhor designado, numa acepção temporal, pela predestinação, i.e., uma vontade anterior contra a qual não cabe resistência. Logo, faria mais sentido se a indagação fosse: Você acredita em predestinação?, mas será que alguém a entenderia mais prontamente? Quando se é perguntado, não é mais intuitivo pensar no destino como algo inefável? Que confusão!

1.1.12

???

Parece que caiu o último baluarte... Onze soldados israelenses foram flagrados dançando 'Ai se eu te pego', musiquinha do fenômeno Michel Teló.
Claro que o vídeo foi retirado do ar, por determinação do Exército de Israel, mas ficou a dúvida: se os soldados mais bem treinados do mundo, sob o mais temido rigor que se tem notícia, dançam 'nossa, nossa, assim você me mata', como é que fica heim?

24.12.11

Dia de Natal

Meu ano acaba hoje. Calma, não é nada apocalíptico não. Só que completo 42 amanhã, 25 de dezembro.
Sempre foi estranho fazer aniversário nesse dia. Aliás, toda essa celebração de natal insiste em me incomodar. Há quem diga que a roupa vermelha do papai noel é criação da coca-cola. Não duvido. A mercantilização de uma data tão significativa para os cristãos me envergonha, pois tenho a sensação de que faço parte dessa distorção comemorativa.
Cristo nasceu sob a mais absoluta simplicidade, contam as escrituras sagradas. Na palha sobre o chão, entre pastores e animais. Ao relento. Sua vinda à Terra, no entanto, causou as mais profundas mudanças na humanidade, ao menos no ocidente.
Quando eu era adolescente, costumava passar o natal sozinho, caminhando pela cidade. Às vezes levava comigo uma garrafa de vinho; outras, caminhava longas distâncias tentando adiantar o tempo e passar para o dia seguinte.
Hoje, minha filha, sozinha, preparou uma ceia natalina para a parentela. Reconheço seu esforço em agradar. Minha mulher sente-se feliz em reunir seus familiares. Para mim isso é o que mais importa. Toda aquela comida e bebida apenas serve para alimentar corpos famintos...
Minha fome é outra. Uma vez mais ainda não nasci. Espero o momento de vir ao mundo, agora um tanto mais velho. Gostaria de estar quieto, num cantinho escuro e despertar suavemente no silêncio da manhã para dar bom dia ao menino Jesus e pedir-lhe bençãos aos desesperados e aflitos, pois que sua paz é suficiente para todos.

6.11.11

Natal, meu bom Deus

Natal, aqui vou eu te conhecer. Será uma semana e tanto. Vai ser bom desligar-me do desgastante 2011 e caminhar na praia. Uma boa moqueca de camarão conta... Areia fina e branca acompanhada de ondas quentes e verdes. Vento tranquilo e constante. Sol. Quem sabe aprenda a surfar... Levo uma mochila com poucos pertences; levo a ansiedade de viver na Capital do País; levo a vontade de viver no mar.
Há quem duvide que Deus existe. Tem gente de peso afirmando que o universo foi criado a partir do nada, onde sequer existia o tempo. Humildemente, continuo acreditando no criador, pois sua prova não vem da ciência, mas exsurge no coração de cada um. Se quiser, posso vê-lo e ouvi-lo por toda a parte, na cidade ou na praia.
Ademais, há um cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter, de onde, volta e meia, caiu um pedrisco nos nossos quintais. Diz-se que se um desses, com mais de trinta metros de diâmetro, viesse em nossa direção seria o fim.
Da minha parte, creio que a humanidade tem sorte. Diante de tanta incerteza aqui ainda estamos. Não reclamo, agradeço.